domingo, 15 de janeiro de 2017

É possível aprender Japonês (ou outros idiomas) com a internet?

Nos dias de hoje são cada vez mais comuns as pessoas que falam mais de um idioma. Bilíngues têm mais chances no mercado de trabalho, facilidade ao viajar, acesso a culturas distintas e até uma série de benefícios cerebrais (alguns aqui e aqui).

Em geral aqueles que falam fluentemente um segundo idioma (alguns até mais de dois) aprenderam porque moraram em outro país ou sua família(ou parte dela) vem de outro país. Mas e aqueles que não tiveram a oportunidade de conviver diretamente com uma cultura distinta e querem aprender um novo idioma?

O mais comum é que essas pessoas passem a frequentar uma escola de idiomas. Mas na maioria das vezes isso simplesmente não funciona. São muito comuns os casos de pessoas que frequentam cursos de Inglês ou Japonês por anos a fio e mesmo assim não conseguem manter uma conversa com um falante nativo, não conseguem assistir um filme sem legenda ou sequer fazer uma reserva em um restaurante por telefone.

Muitos culpam as escolas de idiomas, o que é uma grande injustiça, afinal é humanamente impossível aprender um idioma com quatro horas de aula por semana. É preciso muito mais que isso.

Basta pensar em como aprendemos nosso idioma, ou como bilíngues aprendem sua segunda língua. É um processo de contato contínuo, todos os dias, a maior parte do tempo.
Desde pequeno sua família fala com você em Português, seus vizinhos, amigos, funcionários de lojas, restaurantes, supermercados,etc. todos falam Português com você.
Programas em Português passam na televisão e no rádio, as revistas e livros na estante estão em Português, seu computador e celular também provavelmente estão em Português.
Tudo isso faz com que você se acostume mais e mais com o idioma, e que se sinta confortável com o idioma.
Obviamente em outro país tudo isso seria em outro idioma.

Porém viver em outro país não é algo tão simples, muito menos barato. O truque então é forjar um ambiente artificial de imersão, e é ai que entra a internet. 


A internet tem mudado a forma com que muitas coisas são feitas, desde simples cartas que foram substituidas por e-mails, até processos burocráticos e bancos de dados imensos que já não existem mais em papel. Além disso muito da economia atual e comunicação depende quase inteiramente da internet. A educação também tem mudado muito com a internet - instituições de ensino oferecem cursos online, palestras são gravadas e disponibilizadas na rede, livros são digitalizados, etc.

Criar um ambiente artificial de imersão é simples, basta mudar tudo que for possível que você faz em Português para Japonês ou Inglês (ou o idioma que quiser). TV e rádio em Japonês, livros em japonês, mangá em japonês, filmes e séries em Japonês (com legenda em Japonês ou sem legenda), podcasts em Japonês, e assim por diante.
O importante é fazer o idioma parte da sua vida diária, quanto maior o tempo de exposição melhor.

Existe um ponto essencial para aprender um idioma desta forma, é necessário que o conteúdo esteja em um nível acessível ao aprendiz, um pouco além do conteúdo já dominado. Assim o aprendiz aumenta seu vocabulário naturalmente apenas consumindo mídia estrangeira (para uma explicação mais complexa recomendo ler a teoria de Stephen Krashen sobre aquisição de língua aqui).

Stephen Krashen, sua teoria ajudou muitas pessoas a se tornarem poliglotas


A teoria de Krashen também explica outro ponto importante - input (ouvir e ler) é essencial para o desenvolvimento linguístico; output (falar e escrever) não é essencial, mas sim um produto da aquisição. Ou seja, quanto mais você ouve e lê, melhor vai ser sua capacidade de flar e escrever.
Este ponto é contestado levemente por alguns poliglotas, mas ainda assim todos consideram input muito mais importante que output. Steve Kaufmann, poliglota do Lingq (site que eu recomendo muito) comenta em um de seus vídeos que 90% da aprendizagem de idiomas é input, e 10% output/prática. Alguns famosos professores de idiomas do Brasil também são entusiastas como Luiz Passari e Mairo Vergalha.

Não adianta assistir anime em Japonês o dia todo sem entender nada que você não vai aprender nada. Você precisa consumir conteúdos que estejam de acordo com seu nível, pouco a pouco, até chegar em um nível em que consiga entender qualquer tipo de material.

Assistir anime pode impulsionar seu aprendizado de Japonês (fonte da imagem)


Até chegar em um nível avançado é necessário estudar algo mais simples, como material didático feito para estrangeiros e livros infantis. Você pode começar mudando seu celular para Japonês e aprendendo as palavras de cada menu.


Mas e os cursos presenciais?
Cursos presenciais podem ser muito bons para adquirir uma base no idioma, conhecer outras pessoas que também admiram culturas diferentes e/ou têm interesse em aprender, tirar dúvidas com um professor, ajudar a manter uma rotina de estudos, e obviamente para praticar o idioma.
Mas não adianta jogar toda a responsabilidade do seu aprendizado em um curso, é necessário assumir a responsabilidade e se esforçar para aprender.


Para saber mais:




https://www.facebook.com/pagina.dekyoto/

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Psicologia no Japão parte II - Situação atual e temas específicos

Este post é continuação do post Psicologia no Japão - Parte I - Um pouco de história, clique aqui para ler.

A Psicologia no Japão, assim como a Psicologia no Brasil ou em outros países é bastante diversa. Assuntos diversos são estudados em Universidades desde Okinawa até Hokaido. Apesar disso, pode-se dizer que algumas tendências prevalecem no Japão e alguns assuntos tendem a ser mais estudos e alguns métodos a ser mais utilizados.



Para entender como é a Psicologia no Japão é absolutamente necessário lembrar que após o termino da segunda guerra mundial, o Japão foi ocupado pelos EUA, sofreu grandes modificações internas e até hoje os EUA são o país que mais influencia o Japão. Por causa disso muitas instituições, como o governo e as Universidades foram reestruturadas seguindo um modelo mais americanizado. Ou seja, a Psicologia, como uma disciplina que depende das universidades para ser estudada, pesquisada e ensinada, segue um modelo fortemente influenciado pelos EUA.

A começar pelo método, seja na Psicologia Clínica ou Psicologia Social, ao contrário do que acontece no Brasil onde estudos qualitativos são comuns, a maioria dos estudos em Psicologia no Japão são quantitativos e apoiam-se fortemente em análises estatísticas. Além disso, seguindo as novas tendências mundiais, muitos estudos são conduzidos utilizando tecnologias atuais importadas de outras áreas. Modelos matemáticos feitos com programação, análise de big data, técnicas de estudo comuns na neurologia como eletroencefalografia, análises de DNA, interação entre humanos e máquinas, etc.

Se bem me recordo e se minhas recentes buscas no google estão certas, a Psicologia no Brasil  tem a Filosofia como base, e é fortemente alinhada com questões sociais. No Japão, a Psicologia tem base mais forte na Biologia e muitos estudos giram em torno de processos comportamentais básicos como o processo de atenção, aprendizagem, memória, orientação espacial, formação de classes cognitivas, estereótipos, etc. 
Apesar disso, assim como no Brasil, existem estudos sobre questões sociais locais específicas, listamos algumas delas:

Hikikomori: O ministério da saúde, trabalho e bem estar do Japão define hikikomori como pessoas que se recusam a sair de casa e se isolam da sociedade por um periodo superior a seis meses. A maioria são homens por volta dos 20 anos que tem dificuldades em se adaptar à sociedade Japonesa. 
Atualmente não há um consenso a respeito do que torna uma pessoa hikikomori. No começo era comum que relacionassem hikikomori com disturbios psíquicos, mas há uma tendência recente a considerarem as este fenômeno como tendo origems socio-culturais e ter relações com as influências da globalização na sociedade Japonesa.

Globalização: Valores ocidentais têm sido importados para o Japão e mudanças estruturais têm ocorrido no páis, costumes e tradições estão sendo modificadas. Isso tem mudado a maneira com que as pessoas interagem com a sociedade, consequentemente provocando mudanças em suas psiquês. Muitos psicológos têm se dedicado a invertigar como estas mudanças estão acontecendo.

Envelhecimento populacional: O Japão é o país com a maior proporção de cidadãos idosos do mundo. E essa proporção tende a aumentar nos anos seguintes, o que traz diversas consequências para a sociedade, economia, cultura,etc. Psicólogos de diversas sub-áreas têm se dedicado a estudar desde como isso influencia as interações 

Apesar de diferente do que acontece em outros países, a Psicologia no Japão segue tendências mundiais sem deixar de atentar para o contexto específico do Japão. Claro que um simples post de blog não é suficiente para falar de todos os aspectos específicos da Psicologia Japonesa, mas espero que possam ter uma ideia de como as coisas funcionam do outro lado do mundo.

Recomendo visitar os websites das associações Japonesas de Psicologia para conhecer mais a fundo os tipos de pesquisa que se faz no Japão em cada sub-área da Psicologia.

The Japanese Psychological Association

The Japanese Society of Social Psychology

Japan Society of Developmental Psychology

Outras associações

terça-feira, 10 de novembro de 2015

O Japão é um país oriental, mas e o Brasil, é ocidental?



Durante a minha formação escolar, aprendi que quando se falava em ocidente e oriente, o mundo seria dividido em duas partes a partir do Meridiano de Greenwhich, leste/oriente e oeste/ocidente. Seguindo esta linha de pensamento, o Brasil seria então parte do ocidente e consequentemente sua civilização seria considerada ocidental. Termos como "Oriente Médio" e "Extremo Oriente" fariam então muito sentido. Fácil e prático. 

O Japão, localizado no extremo oriente, seria então considerado parte do oriente, e sua civilização oriental. 

Sem problemas até aqui.

Representação gráfica da divisão do mundo em dois hemisférios


Conforme fui crescendo e entrando em contato com mais fontes de informação, me deparei com textos e pessoas que falavam sobre o "choque entre a civilização ocidental e os indígenas americanos", o que simplesmente não faz sentido de acordo com a definição de ocidente e oriente que acabei de apresentar aqui.

Depois de um tempo ficou claro na minha cabeça que ocidente equivale a Europa e países que foram ou ainda são colônias européias. Mesmo estando mais a oeste que a Europa, as civilizações e culturas ameríndias não são consideradas civilizações ocidentais.

Apesar das óbvias inconsistências aqui e ali, sempre me considerei e considerei o Brasil ocidental, assim como muitos outros brasileiros.  

Porém, numa dessas muitas conversas que ocorrem entre estrangeiros e locais (japoneses), discutíamos os grandes clichés das diferenças culturais. Durante a conversa, um japonês explicou como algumas coisas funcionam no Japão e no Leste Asiático, e perguntou como é nos países ocidentais ("western countries"). Após alguns europeus se juntarem e explicarem como essas coisas funcionam na Europa, jogaram a pergunta para mim - como é no Brasil?
Eu respondi que era do mesmo jeito que na Europa.
Todos absorveram com naturalidade.
Acrescentei que isso acontece porque o Brasil também é parte do ocidente.
Todos me olharam surpresos, até que uma européia comentou - É. Mas não conta.
A conversa continuou naturalmente.
Fiquei bastante intrigado e resolvi ler mais sobre isso.

São Paulo, cidade que cresceu nos moldes das metropoles estadunidenses. Ocidental ou não?

Pois é, talvez por nunca ter parado para pensar nisso, ou ter conversado com alguém sobre, eu nunca tenha reparado, mas no senso comum europeu, norte americano, e de alguns outros lugares do mundo, o Brasil não faz parte do "mundo ocidental". Quando se escreve "western" em inglês, não se encontram muitas relações diretas com o Brasil ou com a América Latina, muito pelo contrário.

No meio jornalístico isso é bem claro, a gente vê o título sutil " doadores ocidentais poderiam aprender com o Brasil..." no britânico The Guardian; ou o contraste entre os BRICS, grupo do qual o Brasil faz parte, e o ocidente no Reuters; no The Economist que diz que "outros países não ocidentais, do Brasil à Turquia, da Índia à Malásia, estão seguindo a liderança da China".

Samuel P. Huntington, em seu livro "Choque de Civilizações" divide o mundo em civilizações, como "civilização subsaariana", "civilização islâmica" e "civilização ocidental". O Brasil faz parte da "civilização latinoamericana".

Mundo ocidental, no senso comum norte americano, europeu e japonês, são os países da Europa (exceto o leste europeu), Estados Unidos da América, Canada, Austrália e Nova Zelândia.
Em japonês se utiliza a palavra 欧米(oubei) para designar estes países. 欧 (ou) significa Europa, e 米 (bei) América, aqui entendida apenas como EUA. ou seja, 欧米人 (oubeijin) se refere às pessoas da Europa e dos EUA. Muitas vezes as antigas colônias britânicas também são incluídas.

Apesar de não haver um consenso sobre o porquê disso, o que parece ser considerado é o fato desses países chamados ocidentais serem industrializados, ricos, com maioria da população branca e cristã, e terem como maior influência a "cultura européia". Ou seja, a ideia não é a posição geográfica dos países, mas sim suas características políticas, culturais e econômicas.

Por esses critérios, alguns países da América Latina como a Argentina e o Uruguai, ou a região sul do Brasil, poderiam ser considerados tão ocidentais quanto a Austrália. Não é preciso pensar muito para chegar nessa conclusão.  Porém, pouca gente fora da América Latina conhece o Cone Sul.

No senso comum das pessoas que se consideram ocidentais, nenhuma parte da América Latina é parte do ocidente. Claro que muita gente discorda disso, existem alguns posts de gente indignada com isso (ex: aqui, aqui, e aqui). 

O principal contra argumento é que a America Latina, onde o Brasil está incluído, foi colonizada por europeus, recebeu muitos imigrantes europeus, fala idiomas europeus, e emula a civilização européia em praticamente todas as esferas. Por exemplo, a produção acadêmica e jornalística brasileira segue o padrão europeu e não se exclui dele de forma alguma. Muitos dizem que a América Latina é "excluída" do mundo ocidental por não ser rica, por causa do sub desenvolvimento de seus países, e da aparente "vergonha do primo pobre" dos países mais ricos.

Salvador, primeira capital colonial do Brasil, possui forte influência africana. Ocidental?


Enquanto isso, outras pessoas acabam concordando que o Brasil não é parte do ocidente, apesar da forte influência européia, os nativos e os africanos também influenciaram fundamentalmente durante a formação do país. Depois vieram imigrantes não apenas da Europa, mas de muitos cantos do mundo  exercer suas influências na cultura local. Apesar de emular e copiar muito da civilização européia e estadunidense, falar uma língua européia, muito do que aconteceu e acontece no Brasil é comparável ao que aconteceu e acontece em certos lugares da África e da Ásia, que não são consideradas ocidentais em hipótese alguma. 

Pessoalmente eu acredito que classificar o Brasil como país ocidental e incluí-lo no mesmo grupo que a Europa seria limitar a cultura brasileira a uma única matriz, o país é muito mais que a simples decorrência de uma invasão portuguesa. 

Por outro lado, também acredito que uma categoria como "ocidental", que engloba países tão distíntos e cuja definição é tão controversa que gera mais intrigas do que facilita a vida das pessoas, não deveria ser levada a sério.

E você, o que pensa a respeito?

sábado, 5 de setembro de 2015

Psicologia no Japão - Parte I - Um pouco de história

Desde que comecei a estudar Psicologia no Japão, muita gente me  pergunta como é, como funciona, o que tem de diferente,etc.
É muito difícil responder a essa pergunta já que eu não sou nenhum especialista em "História da Psicologia japonesa" ou mesmo em "Psicologia Japonesa". Porém, por estar morando no país, ter acesso à Psicologia aqui, e ser membro da Associação Japonesa de Psicologia, eu acabo por conhecer pouco sobre o assunto.

Pois bem, depois de ser perguntado várias vezes e pensar sobre isso, decidi escrever uma pequena série de posts para que as pessoas tenham ideia de como é a Psicologia no Japão.

Neste primeiro post vamos falar um pouco sobre a história da Psicologia no Japão. Nos próximos posts vamos tratar da situação atual e de questões específicas do país.

Em Japonês, Psicologia é chamada de Shinrigaku 心理学.
心 - "shin" ou "kokoro" pode ser traduzido como coração no sentido emotivo, espírito, alma, mente, ou algo como "centro dos pensamentos e emoções".
理 - "ri" pode ser traduzido como lógica, princípios, ou razão.
学 - "gaku" pode ser traduzido como estudo ou conhecimento.


Ou seja, psicologia em Japonês é algo como "estudo das razões da alma". Bem semelhante à etimologia da palavra "psicologia" em Português, que vem do grego ψυχή (psyché), "alma", e λογία (logos),"estudo". 

Manual Japonês de Psicologia

A Psicologia chegou ao Japão no final do século 19 através de japoneses que fizeram seus doutorados nos Estados Unidos e depois, de volta ao Japão, deram início a laboratórios de psicologia experimental. Posteriormente, pesquisadores japoneses visitaram o laboratório de Wilhelm Wundt e levaram Psicologia da Gestalt ao país do sol nascente. 


As primeiras associações de Psicologia foram criadas durante os anos 1920, muitas não continuaram por falta de membros e recursos; outras continuam até hoje, como a Japanese Psychological Association (日本心理学会), criada em 1927.



O sistema educacional japonês era baseado no modelo alemão até o final da segunda guerra mundial, quando o Japão passou a adotar um modelo com base nos Estados Unidos. Muitos japoneses foram estudar psicologia nos EUA e a psicologia passou a fazer parte do currículo de educadores japoneses, da educação infantil à universidade.



A Psicologia Clínica demorou um pouco mais para chegar ao Japão, dando as caras nos anos 1950, através de psicólogos estadunidenses que foram ao Japão. Apesar de chegar a ter uma presença relevante nas Universidades e centros de pesquisa, a clínica psicológica não foi muito popular entre o público em geral no começo. A partir dos anos 90 um esforço maior em prol da popularização da psicologia clínica foi iniciado, e as associações de Psicologia têm dando continuidade a este esforço até os dias de hoje.


Edição em Espanhol de "Música" de Yukio Mishima.


Já a Psicanálise chegou no Japão oriunda da curiosidade de cientistas japoneses no começo do século 20, durante um período no qual o Japão importava muito das "ciências do ocidente".  Os trabalhos de Freud foram traduzidos para o Japonês em 15 volumes no ano de 1933.

É interessante ressaltar que o escritor Yukio Mishima tem um romance chamando Ongaku (音楽 - "música") sobre um psicanalista que trabalha em Tóquio. A obra traz várias referências a psicanalistas e psicólogos clínicos.


A Psicologia Analítica de Jung foi trazida ao Japão pelo psicólogo Hayao Kawai na segunda metade do século 20. Ele adaptou a teoria Junguiana ao país, além de introduzir a caixa de areia na terapia japonesa.


Em suma, a Psicologia chegou ao Japão junto à modernização do país no final do período Meiji e foi se integrando ao meio acadêmico do país durante os períodos seguintes, e continua se expandindo nos dias de hoje.

Por causa das óbvias diferenças entre o Japão e os Estados Unidos e países da Europa, muitos aspectos da psicologia tiveram que ser adaptados e novas teorias tiveram que ser desenvolvidas para que se compreenda devidamente as especificidades do extremo oriente. Mas esses são tópicos para a próxima parte da série "Psicologia no Japão".


domingo, 26 de julho de 2015

Ah, então você estuda Japonês...

Eu não lembro quando comecei a ter contato com a cultura japonesa, talvez tenha sido com desenhos e seriados que eu assistia na tv quando criança, ou talvez com video games que jogava nesta época. O que lembro é que desde pequeno esse interesse no Japão sempre esteve comigo, algumas vezes fui mais interessado e em outras menos. Mas sempre achei interessante esse país que fica do outro lado do mundo.

Conforme fui me tornando adulto fui trocando os desenhos e seriados pela literatura e os video games pela música. Além claro de desenvolver um interesse na história e política do país, que são muito diferentes das Américas.

Fui bastante criticado por ter nutrido esse interesse particular, as críticas aumentaram exponencialmente quando comecei a estudar o idioma japonês. Ainda escuto algumas críticas de brasileiros por estar no Japão me inteirando mais da cultura.
Uma típica rua comercial japonesa

Por ter acontecido já há alguns anos, antes da popularização da internet e da consequente propagação da informação, eu achava que isso tinha mudado. Ledo engano, nada mudou. Infelizmente ainda existe uma mentalidade conservadora em relação a ideias novas e novos conhecimentos no Brasil.


É óbvio que ter interesse em algo diferente, do outro lado do mundo, sem aparente relação direta com a cultura e tradição brasileira, não seria totalmente bem vindo no Brasil, país conservador e eurocêntrico. Algo muito chato que creio que vá demorar a mudar.

Numa conversa que tive recentemente com um amigo que possui um site sobre ensino de Japonês
 (AulasdeJapones.com.br) fiquei sabendo que essas críticas a pessoas que estudam Japonês ou que simplesmente tem interesse no Japão infelizmente continuam. Depois dessa conversa decidi escrever esse post enumerando as críticas que me foram mais comuns e como eu responderia hoje a elas. 

Espero que seja um estímulo não apenas a aqueles que tem interesse no Japão, mas também a todos aqueles que tem algum interesse fora do mainstream da cultura mas sofrem com críticas de gente ignorante.
Listei algumas perguntas e afirmações que ouvi, e ainda ouço, bastante durante todos esses anos. Muitas vezes não soube como responder, mas hoje eu tenho algumas boas respostas para cada uma delas.

Por que você estuda Japonês?
E por que não?
Claro que é possível listar uma série de benefícios de estudar um idioma estrangeiro, mas na verdade não é necessário.
As pessoas têm gostos diferentes, algumas têm vontade de aprender Japonês. Simples assim.

Mas pra que você vai usar isso? 
Pra tudo.
Tudo que eu posso fazer em Português, eu também posso fazer em Inglês ou em Japonês.
Posso ler livros, assistir filmes, conversar com meus amigos, ouvir música,etc.

Não é uma língua inútil?
Não existe língua inútil.

Mas não é muito difícil?
É.
Não é fácil como aprender outras línguas latinas como Espanhol ou Francês, e também não existem muitas proximidades em vocabulário como no caso do Inglês.
Justamente por não ter proximidade com o Português como no caso das línguas européias, não existem "atalhos" para a aprendizagem. É um teste de resiliência.

Por que ao invés de estudar Japonês você não estuda Espanhol/Francês/Alemão/outro idioma?
Porque eu quero estudar Japonês.
Porque todos esses idiomas têm o mesmo grau de utilidade.
Porque todas as culturas das quais esses idiomas fazem parte são igualmente ricas.

Você acha que um dia vai pra lá?
Tô aqui. Muitos outros como eu também estão.

Mas você é descendente?
Não sou, e essa pergunta sequer faz sentido.
Existem muitos descendentes de japoneses no Brasil, e alguns deles mantém uma relação forte com a cultura de seus ancentrais. Assim como existem descendentes de italianos, portugueses, espanhóis, angolanos,alemães, moçambicanos, armênios, entre outros no Brasil, e alguns deles também mantém uma relação forte com a cultura de seus ancetrais.
Porém, não existe nenhum tipo de contrato de exclusividade nem de obrigatoriedade entre os descendentes de um povo e a cultura desse povo.
Um descendente de italianos não é obrigado a falar italiano, nem é esperado que o fale. E quando alguém estuda italiano, ninguém pergunta se essa pessoa é descendente de italianos.
Logo, não faz sentido relacionar o idioma japonês com os descendentes de japoneses.

Você é viciado em desenho japonês? (anime)
As vezes essa pergunta vem com a afimação "você deve ser otaku".
Eu pessoalmente não sou muito fã de desenhos em geral. Mas se eu fosse fã e estudasse Japonês por causa disso, teria um motivo tão legítimo para estudar quanto qualquer outro.
O mesmo vale pra quem gosta de moda japonesa, música, video games,etc. 

Mas esse negócio de anime não é coisa de criança?
Alguns anime são feitos para crianças, outros não.
Anime é apenas um tipo de entretenimento, como são as telenovelas e o futebol no Brasil, ou filmes e séries americanas em uma escala um pouco maior. O conteúdo varia, mas o objetivo é o mesmo - entreter.
 Há tanta infantilidade em animes quanto há em outras formas de entretenimento.
Se vestir de ninja dessa forma talvez seja coisa de criança


Pois é, muitos daqueles que tem interesse em Japão e resolvem estudar o idioma acabam tendo que responder uma dessas perguntas, enfrentam diversos tipos de provocação e acabam a motivação abalada.
Não desistam! Não deixem que gente ignorante os desanimem. Lembrem-se que, no fundo, as perguntas sem sentido e os comentários negativos são em geral muito mais reflexo da insegurança e desconhecimento dos provocadores do que qualquer outra coisa.


E você, já passou por alguma situação chata ou  teve que responder alguma pergunta estranha por ter interesse no Japão, estudar japonês, ou por qualquer interesse incomum? Comente.



sábado, 18 de julho de 2015

Que perguntas te fazem? Te acham exótico?

Quando a gente nasce e cresce em um lugar sem conhecer lugares e pessoas diferentes, é normal que tenhamos uma visão muito etnocêntrica do mundo. Também é normal que não tenhamos ideia do que pensam de nós.

Desde que sai do Brasil me tornei representante do país, referência sobre assuntos brasileiros e latino americanos, e alvo de comentários e perguntas que nunca fora perguntado antes. Algumas coisas eu já esperava, como comentários sobre futebol, carnaval, amazônia, bossa nova e outros clichês; porém  outras perguntas me foram completamente inesperadas. Com tantas perguntas sobre meu país e consequentemente minha identidade, eu acabei refletindo bastante sobre o Brasil.

Antes de começar a comentar as perguntas, quero lembrar vocês que elas não vêm apenas de japoneses, mas de pessoas de várias partes do mundo com quem tenho contato.

Vamos às perguntas:

Como é a Floresta Amazônica?
Pouca gente sabe quão grande é o Brasil, e que minha cidade natal ( São Paulo) fica longe da Amazônia.
Eu começo dizendo que é muito longe, e que demoraria cerca de 5 horas. Me respondem que 5 horas dirigindo vale a pena para poder ver uma floresta tão exótica e exuberante. Quando eu respondo que essas 5 horas seriam de vôo, as pessoas param por alguns segundos para pensar.

Qual a comida típica do Brasil?
Algumas pessoas se surpreendem quando eu descrevo a feijoada, outras ficam decepcionadas esperando que tivessemos algo mais exótico.
As vezes eu falo de churrasco, pizza, ou bolinho de chuva, mas em geral isso gera uma discussão de gente que tenta me provar que esses não são pratos "tipicamente brasileiros" e que não seriam tão saborosos quanto os supostos originais. Como não são todos os dias em que eu tenho paciência suficiente para iluminar alguém e livrar essas inocentes pessoas de sua ignorância elitista gastronômica, eu em geral eu só falo de coisas básicas mesmo.

Masp em São Paulo - um pouco diferente do que as pessoas imaginam que seja o Brasil.


Você não é muito branco para ser brasileiro?
Pra quem está lendo e não me conhece, eu sou branco de cabelos e olhos castanhos, tipo bastante comum em todo o Brasil.

Talvez por haver uma tendência mundial, fortemente influenciada pela mídia, em relacionar gente branca com Europa, America do Norte e Oceania ( Austrália e Nova Zelândia), e o fato de boa parte dos jogadores de futebol - exemplo mais comum de brasileiro que as pessoas mundo afora tem - serem negros ou pardos,  pouca gente espera que um brasileiro seja branco.

Outras pessoas, mais acostumadas a encontrar brasileiros por aí, não me estranham, mas sempre perguntam sobre os negros no Brasil, se a situação deles  é semelhante à dos negros nos Estados Unidos ou diferente.

Eu tento explicar que a população brasileira é bastante diversa, quase metade da população se considera branca, uma parcela um pouco menor mestiça( pardos), e que também existem muitos negros, "alguns" asiáticos, e, obviamente, "índios" ou nativos. Portanto é possível encontrar brasileiros que parecem com gente de qualquer outro país, não existe um "brasileiro padrão".

Por ser algo complexo de explicar para um leigo, eu simplesmente digo com toda naturalidade do mundo que é porque eu sou do sul.


O Brasil é um país ocidental/rico/primeiro mundo?
Pois é, segundo as notícias que tem se espalhado sobre a economia brasileira, o fato de ter uma copa do mundo e uma olimpíada em tão pouco tempo faz com que muita gente imagine que o Brasil é um país rico.
Rico ou não, não é o tipo de coisa que se explica rapidamente. Eu sempre digo que o Brasil está passando por transformações, que eu percebo pela mídia e pelas conversas que tenho com quem conheço que ainda está lá.
Se o Brasil vai chegar lá ou não eu não sei responder.

*nome de músico com cancões em espanhol* é famoso(a) no Brasil?
Eu gosto bastante de alguns artistas que têm músicas em Espanhol, mas é sempre difícil explicar que eu sou a excessão, que em geral as pessoas no Brasil só ouvem música em Português ou Inglês.

São Paulo é uma cidade tão grande assim? Maior que Kyoto?
Pois é, São Paulo é enorme, mas pouca gente tem ideia de que existem mais pessoas na cidade de São Paulo que em países como Suíça, Portugal ou Nova Zelândia.
São Paulo é umas 6 vezes maior que Kyoto.
E também tem gente que acha que a cidade do Rio de Janeiro é maior que São Paulo.

É verdade que todo brasileiro sabe jogar futebol?
Essa pergunta em geral vem como uma afirmação, "você certamente sabe jogar futebol muito bem!".
A resposta é sempre não. Eu sou perna de pau a prova viva de que existem brasileiros que não sabem jogar futebol bem.
Porém, comparado a outros países, existem muitos brasileiros que sabem jogar bem, Em geral todo brasileiro conhece razoavelmente as regras do esporte, os objetivos, nomes de clubes, e já jogou ao menos uma vez na vida.

Quando me perguntam o porquê disso, a coisa complica. É difícil explicar de onde vem essa relação maluca do futebol e o povo brasileiro. Chamam de "febre nacional", eu chamo de "doença nacional", apesar de ser um esporte sadio (especialmente se comparado ao Rugby), que une as pessoas, e dá assunto para conversas de elevador, é também o que aliena boa parte da população brasileira, dá apoio a torcidas violentas, e tem uma participação especial na corrupção.

Ah, quando eu conto que em dia de jogo da seleção brasileira em copa do mundo é decretado feriado, metade não acredita e a outra metade vai à loucura.

Este brasileiro aqui sim sabia jogar futebol.


Por que tantos imigrantes de tantos lugares diferentes foram ao Brasil?
Pouca gente entende minimamente de história a ponto de saber que a Europa e o Japão nem sempre foram ricos como hoje são. E que houveram épocas em que, para muita gente, valia mais a pena se aventurar numa terra desconhecida do que continuar sofrendo em seu próprio país.

Qual a origem da sua família?
Quem sabe que o Brasil é um país majoritariamente formado por imigrantes, tem curiosidade em saber de que parte do mundo meus antepassados vieram.
A verdade é que eu sei de alguns, e consigo especular umas coisas pelos meus sobrenomes, mas não sei muito. A maioria dos brasileiros não sabe. E nem importa na verdade.
Para não deixar ninguém decepcionado eu digo que minha família está no Brasil há mais de 10 gerações, e que por isso não sabemos, mas provavelmente vieram de algum canto da Europa e se misturaram com as pessoas daqui.

Como se diz *palavra aleatória* em Espanhol?
Muita gente acha que a língua oficial do Brasil é Espanhol. E mesmo aqueles que sabem bem que falamos Português no Brasil, assumem que, devido à proximidade com os outros países da America do Sul, e a proximidade entre as duas línguas, a maioria dos brasileiros sabe falar Espanhol sem problema algum. Nada mais longe da verdade.

Quantos nomes você tem?
Em muitos países, incluindo o Japão, as pessoas tem apenas um sobrenome, que em geral vem da família do pai, e um nome. Em algumas culturas as pessoas têm nome do meio (middle name). Mas não são comuns os casos de gente com quatro nomes.

As pessoas ficam confusas e admiradas com o fato de eu ter dois nomes e dois sobrenomes, além claro de um "de" entre meus nomes e sobrenomes, o que ajuda muito a confundir os asiáticos.

Alguns já me perguntaram se sou descendente da nobreza européia, por causa desse "de", o que me faz ter de explicar que regras européias não se aplicam no Brasil.

A título de curiosidade, recentemente eu passei a utilizar esse "de" quando assino algo para confundir as pessoas e deixar de ter problemas com bancos e outras instituições.

Todo mundo no Brasil fala Inglês?
Bom, se fala mais Inglês que Espanhol no Brasil. Mas ainda assim quase ninguém sabe.


Qual o idioma do Brasil? / Vocês falam 'brasileiro'?

Você fala "brasileiro"? ( Do you speak brazilian? ブラジル語話せるんですか?)

Dentre as perguntas que as pessoas me fazem por aqui, essa é uma das que mais me intriga, e uma das quais eu mais demorei até ter uma boa resposta.
A maioria das pessoas vai dizer que não existe língua brasileira, que se fala português no Brasil. O que não é mentira, mas nem sempre foi verdade.

Já existiu uma "língua geral brasileira" cunhada em terras brasileiras que não tinha nada a ver com o Português. Pena que foi banida e ninguém mais fala.

Hoje em dia se fala Português brasileiro, que tem uma série de diferenças com o Português lusitano e Português de outros países( Angola, Cabo Verde, Moçambique, etc).

É legal ver a cara de espanto quando explico que breakfast é "café da manhã" no Brasil e "pequeno almoço" em Portugal. E que existem palavras que utilizamos que tem origem em línguas indígenas, como "nhenhenhém" ( ficar de nhenhenhém), igarapé (rio), xará (pessoa com o mesmo nome), e tupiniquim.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Os japoneses falam Inglês?

Quem nunca veio ao Japão me pergunta coisas do tipo - os japoneses falam Inglês? É fácil se virar falando inglês no Japão? Como você faz na faculdade?

Quem já veio, seja para morar um tempo ou a turismo, reclama que quase ninguém fala Inglês e que é muito difícil conseguir informação.
"Hoje está em construção. Obrigado pela compreensão"

Eu mesmo já vi vários turistas tendo problemas em pedir informação para os locais e, como bom morador de Kyoto, fui ajudá-los. Após indicar direções e dar dicas sobre a cidade, a conversa invariavelmente vai pro mesmo ponto - por que é tão difícil achar gente que fale Inglês aqui?
País de primeiro mundo, até algum tempo atrás segunda maior economia do mundo, nível alto de desenvolvimento humano, educação de nível altíssimo, proximidade com os EUA e com a Austrália.

Apesar de tudo isso, e de estudarem inglês no ensino fundamental e médio por 6 anos, a maioria dos japoneses não consegue manter uma conversa ou mesmo responder a perguntas simples em Inglês. 

Em geral as pessoas colocam a culpa no sistema educacional japonês, onde o Inglês é ensinado através de um método ultrapassado de tradução, ênfase em livros didáticos cheios de gramática, e nada de conversação ou qualquer tipo de contato com material real como livros, filmes e música.

Há também uma grande valorização de exames de proficiência de língua inglesa (TOEFL, CPE, TOIEC, etc). É necessário ter um desses certificados para ingressar em alguns programas de pós graduação, intercâmbio, e para se conseguir empregos e promoções dentro de uma empresa.


Outras pessoas atentam para a grande diferença que há entre o Inglês e o Japonês. O que não há como discordar. Línguas de origem distintas, com pronuncia, gramática, entonação, sistema de escrita e vocabulários completamente diferente, é natural que os japoneses tenham dificuldade em aprender Inglês, assim como Ingleses e Australianos têm dificuldade em aprender Japonês.

Eu adicionaria um terceiro ítem à lista -  a distância cultural dos japoneses à cultura ocidental.

A maioria dos japoneses não tem muito contato com nenhum material cultural como livros, filmes, séries de TV, música, etc. Quem sabe Inglês entende que esse tipo de material é essencial no aprendizado, e sendo algo tão importante, dá pra perceber o efeito negativo que isso tem.

Pois é, eles não assistem Game of Thrones, nem Simpsons, não ouvem Eminem nem Arctic Monkeys.

Depende de onde você vai

Talvez para quem vem a turismo seja um pouco difícil achar alguém aleatoriamente na rua que fale inglês suficiente para um bate papo. Também não dá pra esperar que aquele senhor de 76 anos no templo vá conseguir explicar qual ônibus pegar para chegar ao centro comercial.

Mas em muitos lugares turísticos existem profissionais que falam Inglês e estão aptos a ajudar o turista perdido, ou pelo menos placas com informações básicas.

Em muitos restaurantes é possível encontrar menu  e mais algumas informações em Inglês.

Muitos alunos das universidades falam Inglês, é perfeitamente possível se virar dentro de um grupo de pesquisa apenas com Inglês. Arrisco dizer que é bem mais fácil do que seria tentar me virar apenas com Inglês em uma universidade brasileira.

Nas prefeituras e subprefeituras existem panfletos de informação não somente em Inglês, mas também em outras línguas incluindo o Português!


E no Brasil, as pessoas falam Inglês?
Algumas pessoas desavisadas me perguntam se o Inglês é língua oficial no Brasil, ou se a maioria dos brasileiros fala inglês com fluência. A resposta, obviamente, é não.

Apesar de sermos falantes nativos de uma língua européia com certa proximidade ao Inglês, e de muita gente saber quem é o Sheldon, pouquíssimas pessoas sabem Inglês.

Talvez seja o ensino fundamental e médio que é defasado e a pouca preocupação das universidades e empresas em se internacionalizar. Mas isso já é assunto para outro post...