terça-feira, 10 de novembro de 2015

O Japão é um país oriental, mas e o Brasil, é ocidental?



Durante a minha formação escolar, aprendi que quando se falava em ocidente e oriente, o mundo seria dividido em duas partes a partir do Meridiano de Greenwhich, leste/oriente e oeste/ocidente. Seguindo esta linha de pensamento, o Brasil seria então parte do ocidente e consequentemente sua civilização seria considerada ocidental. Termos como "Oriente Médio" e "Extremo Oriente" fariam então muito sentido. Fácil e prático. 

O Japão, localizado no extremo oriente, seria então considerado parte do oriente, e sua civilização oriental. 

Sem problemas até aqui.

Representação gráfica da divisão do mundo em dois hemisférios


Conforme fui crescendo e entrando em contato com mais fontes de informação, me deparei com textos e pessoas que falavam sobre o "choque entre a civilização ocidental e os indígenas americanos", o que simplesmente não faz sentido de acordo com a definição de ocidente e oriente que acabei de apresentar aqui.

Depois de um tempo ficou claro na minha cabeça que ocidente equivale a Europa e países que foram ou ainda são colônias européias. Mesmo estando mais a oeste que a Europa, as civilizações e culturas ameríndias não são consideradas civilizações ocidentais.

Apesar das óbvias inconsistências aqui e ali, sempre me considerei e considerei o Brasil ocidental, assim como muitos outros brasileiros.  

Porém, numa dessas muitas conversas que ocorrem entre estrangeiros e locais (japoneses), discutíamos os grandes clichés das diferenças culturais. Durante a conversa, um japonês explicou como algumas coisas funcionam no Japão e no Leste Asiático, e perguntou como é nos países ocidentais ("western countries"). Após alguns europeus se juntarem e explicarem como essas coisas funcionam na Europa, jogaram a pergunta para mim - como é no Brasil?
Eu respondi que era do mesmo jeito que na Europa.
Todos absorveram com naturalidade.
Acrescentei que isso acontece porque o Brasil também é parte do ocidente.
Todos me olharam surpresos, até que uma européia comentou - É. Mas não conta.
A conversa continuou naturalmente.
Fiquei bastante intrigado e resolvi ler mais sobre isso.

São Paulo, cidade que cresceu nos moldes das metropoles estadunidenses. Ocidental ou não?

Pois é, talvez por nunca ter parado para pensar nisso, ou ter conversado com alguém sobre, eu nunca tenha reparado, mas no senso comum europeu, norte americano, e de alguns outros lugares do mundo, o Brasil não faz parte do "mundo ocidental". Quando se escreve "western" em inglês, não se encontram muitas relações diretas com o Brasil ou com a América Latina, muito pelo contrário.

No meio jornalístico isso é bem claro, a gente vê o título sutil " doadores ocidentais poderiam aprender com o Brasil..." no britânico The Guardian; ou o contraste entre os BRICS, grupo do qual o Brasil faz parte, e o ocidente no Reuters; no The Economist que diz que "outros países não ocidentais, do Brasil à Turquia, da Índia à Malásia, estão seguindo a liderança da China".

Samuel P. Huntington, em seu livro "Choque de Civilizações" divide o mundo em civilizações, como "civilização subsaariana", "civilização islâmica" e "civilização ocidental". O Brasil faz parte da "civilização latinoamericana".

Mundo ocidental, no senso comum norte americano, europeu e japonês, são os países da Europa (exceto o leste europeu), Estados Unidos da América, Canada, Austrália e Nova Zelândia.
Em japonês se utiliza a palavra 欧米(oubei) para designar estes países. 欧 (ou) significa Europa, e 米 (bei) América, aqui entendida apenas como EUA. ou seja, 欧米人 (oubeijin) se refere às pessoas da Europa e dos EUA. Muitas vezes as antigas colônias britânicas também são incluídas.

Apesar de não haver um consenso sobre o porquê disso, o que parece ser considerado é o fato desses países chamados ocidentais serem industrializados, ricos, com maioria da população branca e cristã, e terem como maior influência a "cultura européia". Ou seja, a ideia não é a posição geográfica dos países, mas sim suas características políticas, culturais e econômicas.

Por esses critérios, alguns países da América Latina como a Argentina e o Uruguai, ou a região sul do Brasil, poderiam ser considerados tão ocidentais quanto a Austrália. Não é preciso pensar muito para chegar nessa conclusão.  Porém, pouca gente fora da América Latina conhece o Cone Sul.

No senso comum das pessoas que se consideram ocidentais, nenhuma parte da América Latina é parte do ocidente. Claro que muita gente discorda disso, existem alguns posts de gente indignada com isso (ex: aqui, aqui, e aqui). 

O principal contra argumento é que a America Latina, onde o Brasil está incluído, foi colonizada por europeus, recebeu muitos imigrantes europeus, fala idiomas europeus, e emula a civilização européia em praticamente todas as esferas. Por exemplo, a produção acadêmica e jornalística brasileira segue o padrão europeu e não se exclui dele de forma alguma. Muitos dizem que a América Latina é "excluída" do mundo ocidental por não ser rica, por causa do sub desenvolvimento de seus países, e da aparente "vergonha do primo pobre" dos países mais ricos.

Salvador, primeira capital colonial do Brasil, possui forte influência africana. Ocidental?


Enquanto isso, outras pessoas acabam concordando que o Brasil não é parte do ocidente, apesar da forte influência européia, os nativos e os africanos também influenciaram fundamentalmente durante a formação do país. Depois vieram imigrantes não apenas da Europa, mas de muitos cantos do mundo  exercer suas influências na cultura local. Apesar de emular e copiar muito da civilização européia e estadunidense, falar uma língua européia, muito do que aconteceu e acontece no Brasil é comparável ao que aconteceu e acontece em certos lugares da África e da Ásia, que não são consideradas ocidentais em hipótese alguma. 

Pessoalmente eu acredito que classificar o Brasil como país ocidental e incluí-lo no mesmo grupo que a Europa seria limitar a cultura brasileira a uma única matriz, o país é muito mais que a simples decorrência de uma invasão portuguesa. 

Por outro lado, também acredito que uma categoria como "ocidental", que engloba países tão distíntos e cuja definição é tão controversa que gera mais intrigas do que facilita a vida das pessoas, não deveria ser levada a sério.

E você, o que pensa a respeito?

sábado, 5 de setembro de 2015

Psicologia no Japão - Parte I - Um pouco de história

Desde que comecei a estudar Psicologia no Japão, muita gente me  pergunta como é, como funciona, o que tem de diferente,etc.
É muito difícil responder a essa pergunta já que eu não sou nenhum especialista em "História da Psicologia japonesa" ou mesmo em "Psicologia Japonesa". Porém, por estar morando no país, ter acesso à Psicologia aqui, e ser membro da Associação Japonesa de Psicologia, eu acabo por conhecer pouco sobre o assunto.

Pois bem, depois de ser perguntado várias vezes e pensar sobre isso, decidi escrever uma pequena série de posts para que as pessoas tenham ideia de como é a Psicologia no Japão.

Neste primeiro post vamos falar um pouco sobre a história da Psicologia no Japão. Nos próximos posts vamos tratar da situação atual e de questões específicas do país.

Em Japonês, Psicologia é chamada de Shinrigaku 心理学.
- "shin" ou "kokoro" pode ser traduzido como coração no sentido emotivo, espírito, alma, mente, ou algo como "centro dos pensamentos e emoções".
- "ri" pode ser traduzido como lógica, princípios, ou razão.
- "gaku" pode ser traduzido como estudo ou conhecimento.


Ou seja, psicologia em Japonês é algo como "estudo das razões da alma". Bem semelhante à etimologia da palavra "psicologia" em Português, que vem do grego ψυχή (psyché), "alma", e λογία (logos),"estudo"

Manual Japonês de Psicologia

A Psicologia chegou ao Japão no final do século 19 através de japoneses que fizeram seus doutorados nos Estados Unidos e depois, de volta ao Japão, deram início a laboratórios de psicologia experimental. Posteriormente, pesquisadores japoneses visitaram o laboratório de Wilhelm Wundt e levaram Psicologia da Gestalt ao país do sol nascente. 


As primeiras associações de Psicologia foram criadas durante os anos 1920, muitas não continuaram por falta de membros e recursos; outras continuam até hoje, como a Japanese Psychological Association (日本心理学会), criada em 1927.



O sistema educacional japonês era baseado no modelo alemão até o final da segunda guerra mundial, quando o Japão passou a adotar um modelo com base nos Estados Unidos. Muitos japoneses foram estudar psicologia nos EUA e a psicologia passou a fazer parte do currículo de educadores japoneses, da educação infantil à universidade.



A Psicologia Clínica demorou um pouco mais para chegar ao Japão, dando as caras nos anos 1950, através de psicólogos estadunidenses que foram ao Japão. Apesar de chegar a ter uma presença relevante nas Universidades e centros de pesquisa, a clínica psicológica não foi muito popular entre o público em geral no começo. A partir dos anos 90 um esforço maior em prol da popularização da psicologia clínica foi iniciado, e as associações de Psicologia têm dando continuidade a este esforço até os dias de hoje.


Edição em Espanhol de "Música" de Yukio Mishima.


Já a Psicanálise chegou no Japão oriunda da curiosidade de cientistas japoneses no começo do século 20, durante um período no qual o Japão importava muito das "ciências do ocidente".  Os trabalhos de Freud foram traduzidos para o Japonês em 15 volumes no ano de 1933.

É interessante ressaltar que o escritor Yukio Mishima tem um romance chamando Ongaku (音楽 - "música") sobre um psicanalista que trabalha em Tóquio. A obra traz várias referências a psicanalistas e psicólogos clínicos.


A Psicologia Analítica de Jung foi trazida ao Japão pelo psicólogo Hayao Kawai na segunda metade do século 20. Ele adaptou a teoria Junguiana ao país, além de introduzir a caixa de areia na terapia japonesa.


Em suma, a Psicologia chegou ao Japão junto à modernização do país no final do período Meiji e foi se integrando ao meio acadêmico do país durante os períodos seguintes, e continua se expandindo nos dias de hoje.

Por causa das óbvias diferenças entre o Japão e os Estados Unidos e países da Europa, muitos aspectos da psicologia tiveram que ser adaptados e novas teorias tiveram que ser desenvolvidas para que se compreenda devidamente as especificidades do extremo oriente. Mas esses são tópicos para a próxima parte da série "Psicologia no Japão".


domingo, 26 de julho de 2015

Ah, então você estuda Japonês...

Eu não lembro quando comecei a ter contato com a cultura japonesa, talvez tenha sido com desenhos e seriados que eu assistia na tv quando criança, ou talvez com video games que jogava nesta época. O que lembro é que desde pequeno esse interesse no Japão sempre esteve comigo, algumas vezes fui mais interessado e em outras menos. Mas sempre achei interessante esse país que fica do outro lado do mundo.

Conforme fui me tornando adulto fui trocando os desenhos e seriados pela literatura e os video games pela música. Além claro de desenvolver um interesse na história e política do país, que são muito diferentes das Américas.

Fui bastante criticado por ter nutrido esse interesse particular, as críticas aumentaram exponencialmente quando comecei a estudar o idioma japonês. Ainda escuto algumas críticas de brasileiros por estar no Japão me inteirando mais da cultura.
Uma típica rua comercial japonesa

Por ter acontecido já há alguns anos, antes da popularização da internet e da consequente propagação da informação, eu achava que isso tinha mudado. Ledo engano, nada mudou. Infelizmente ainda existe uma mentalidade conservadora em relação a ideias novas e novos conhecimentos no Brasil.


É óbvio que ter interesse em algo diferente, do outro lado do mundo, sem aparente relação direta com a cultura e tradição brasileira, não seria totalmente bem vindo no Brasil, país conservador e eurocêntrico. Algo muito chato que creio que vá demorar a mudar.

Numa conversa que tive recentemente com um amigo que possui um site sobre ensino de Japonês
 (AulasdeJapones.com.br) fiquei sabendo que essas críticas a pessoas que estudam Japonês ou que simplesmente tem interesse no Japão infelizmente continuam. Depois dessa conversa decidi escrever esse post enumerando as críticas que me foram mais comuns e como eu responderia hoje a elas. 

Espero que seja um estímulo não apenas a aqueles que tem interesse no Japão, mas também a todos aqueles que tem algum interesse fora do mainstream da cultura mas sofrem com críticas de gente ignorante.
Listei algumas perguntas e afirmações que ouvi, e ainda ouço, bastante durante todos esses anos. Muitas vezes não soube como responder, mas hoje eu tenho algumas boas respostas para cada uma delas.

Por que você estuda Japonês?
E por que não?
Claro que é possível listar uma série de benefícios de estudar um idioma estrangeiro, mas na verdade não é necessário.
As pessoas têm gostos diferentes, algumas têm vontade de aprender Japonês. Simples assim.

Mas pra que você vai usar isso? 
Pra tudo.
Tudo que eu posso fazer em Português, eu também posso fazer em Inglês ou em Japonês.
Posso ler livros, assistir filmes, conversar com meus amigos, ouvir música,etc.

Não é uma língua inútil?
Não existe língua inútil.

Mas não é muito difícil?
É.
Não é fácil como aprender outras línguas latinas como Espanhol ou Francês, e também não existem muitas proximidades em vocabulário como no caso do Inglês.
Justamente por não ter proximidade com o Português como no caso das línguas européias, não existem "atalhos" para a aprendizagem. É um teste de resiliência.

Por que ao invés de estudar Japonês você não estuda Espanhol/Francês/Alemão/outro idioma?
Porque eu quero estudar Japonês.
Porque todos esses idiomas têm o mesmo grau de utilidade.
Porque todas as culturas das quais esses idiomas fazem parte são igualmente ricas.

Você acha que um dia vai pra lá?
Tô aqui. Muitos outros como eu também estão.

Mas você é descendente?
Não sou, e essa pergunta sequer faz sentido.
Existem muitos descendentes de japoneses no Brasil, e alguns deles mantém uma relação forte com a cultura de seus ancentrais. Assim como existem descendentes de italianos, portugueses, espanhóis, angolanos,alemães, moçambicanos, armênios, entre outros no Brasil, e alguns deles também mantém uma relação forte com a cultura de seus ancetrais.
Porém, não existe nenhum tipo de contrato de exclusividade nem de obrigatoriedade entre os descendentes de um povo e a cultura desse povo.
Um descendente de italianos não é obrigado a falar italiano, nem é esperado que o fale. E quando alguém estuda italiano, ninguém pergunta se essa pessoa é descendente de italianos.
Logo, não faz sentido relacionar o idioma japonês com os descendentes de japoneses.

Você é viciado em desenho japonês? (anime)
As vezes essa pergunta vem com a afimação "você deve ser otaku".
Eu pessoalmente não sou muito fã de desenhos em geral. Mas se eu fosse fã e estudasse Japonês por causa disso, teria um motivo tão legítimo para estudar quanto qualquer outro.
O mesmo vale pra quem gosta de moda japonesa, música, video games,etc. 

Mas esse negócio de anime não é coisa de criança?
Alguns anime são feitos para crianças, outros não.
Anime é apenas um tipo de entretenimento, como são as telenovelas e o futebol no Brasil, ou filmes e séries americanas em uma escala um pouco maior. O conteúdo varia, mas o objetivo é o mesmo - entreter.
 Há tanta infantilidade em animes quanto há em outras formas de entretenimento.
Se vestir de ninja dessa forma talvez seja coisa de criança


Pois é, muitos daqueles que tem interesse em Japão e resolvem estudar o idioma acabam tendo que responder uma dessas perguntas, enfrentam diversos tipos de provocação e acabam a motivação abalada.
Não desistam! Não deixem que gente ignorante os desanimem. Lembrem-se que, no fundo, as perguntas sem sentido e os comentários negativos são em geral muito mais reflexo da insegurança e desconhecimento dos provocadores do que qualquer outra coisa.


E você, já passou por alguma situação chata ou  teve que responder alguma pergunta estranha por ter interesse no Japão, estudar japonês, ou por qualquer interesse incomum? Comente.



sábado, 18 de julho de 2015

Que perguntas te fazem? Te acham exótico?

Quando a gente nasce e cresce em um lugar sem conhecer lugares e pessoas diferentes, é normal que tenhamos uma visão muito etnocêntrica do mundo. Também é normal que não tenhamos ideia do que pensam de nós.

Desde que sai do Brasil me tornei representante do país, referência sobre assuntos brasileiros e latino americanos, e alvo de comentários e perguntas que nunca fora perguntado antes. Algumas coisas eu já esperava, como comentários sobre futebol, carnaval, amazônia, bossa nova e outros clichês; porém  outras perguntas me foram completamente inesperadas. Com tantas perguntas sobre meu país e consequentemente minha identidade, eu acabei refletindo bastante sobre o Brasil.

Antes de começar a comentar as perguntas, quero lembrar vocês que elas não vêm apenas de japoneses, mas de pessoas de várias partes do mundo com quem tenho contato.

Vamos às perguntas:

Como é a Floresta Amazônica?
Pouca gente sabe quão grande é o Brasil, e que minha cidade natal ( São Paulo) fica longe da Amazônia.
Eu começo dizendo que é muito longe, e que demoraria cerca de 5 horas. Me respondem que 5 horas dirigindo vale a pena para poder ver uma floresta tão exótica e exuberante. Quando eu respondo que essas 5 horas seriam de vôo, as pessoas param por alguns segundos para pensar.

Qual a comida típica do Brasil?
Algumas pessoas se surpreendem quando eu descrevo a feijoada, outras ficam decepcionadas esperando que tivessemos algo mais exótico.
As vezes eu falo de churrasco, pizza, ou bolinho de chuva, mas em geral isso gera uma discussão de gente que tenta me provar que esses não são pratos "tipicamente brasileiros" e que não seriam tão saborosos quanto os supostos originais. Como não são todos os dias em que eu tenho paciência suficiente para iluminar alguém e livrar essas inocentes pessoas de sua ignorância elitista gastronômica, eu em geral eu só falo de coisas básicas mesmo.

Masp em São Paulo - um pouco diferente do que as pessoas imaginam que seja o Brasil.


Você não é muito branco para ser brasileiro?
Pra quem está lendo e não me conhece, eu sou branco de cabelos e olhos castanhos, tipo bastante comum em todo o Brasil.

Talvez por haver uma tendência mundial, fortemente influenciada pela mídia, em relacionar gente branca com Europa, America do Norte e Oceania ( Austrália e Nova Zelândia), e o fato de boa parte dos jogadores de futebol - exemplo mais comum de brasileiro que as pessoas mundo afora tem - serem negros ou pardos,  pouca gente espera que um brasileiro seja branco.

Outras pessoas, mais acostumadas a encontrar brasileiros por aí, não me estranham, mas sempre perguntam sobre os negros no Brasil, se a situação deles  é semelhante à dos negros nos Estados Unidos ou diferente.

Eu tento explicar que a população brasileira é bastante diversa, quase metade da população se considera branca, uma parcela um pouco menor mestiça( pardos), e que também existem muitos negros, "alguns" asiáticos, e, obviamente, "índios" ou nativos. Portanto é possível encontrar brasileiros que parecem com gente de qualquer outro país, não existe um "brasileiro padrão".

Por ser algo complexo de explicar para um leigo, eu simplesmente digo com toda naturalidade do mundo que é porque eu sou do sul.


O Brasil é um país ocidental/rico/primeiro mundo?
Pois é, segundo as notícias que tem se espalhado sobre a economia brasileira, o fato de ter uma copa do mundo e uma olimpíada em tão pouco tempo faz com que muita gente imagine que o Brasil é um país rico.
Rico ou não, não é o tipo de coisa que se explica rapidamente. Eu sempre digo que o Brasil está passando por transformações, que eu percebo pela mídia e pelas conversas que tenho com quem conheço que ainda está lá.
Se o Brasil vai chegar lá ou não eu não sei responder.

*nome de músico com cancões em espanhol* é famoso(a) no Brasil?
Eu gosto bastante de alguns artistas que têm músicas em Espanhol, mas é sempre difícil explicar que eu sou a excessão, que em geral as pessoas no Brasil só ouvem música em Português ou Inglês.

São Paulo é uma cidade tão grande assim? Maior que Kyoto?
Pois é, São Paulo é enorme, mas pouca gente tem ideia de que existem mais pessoas na cidade de São Paulo que em países como Suíça, Portugal ou Nova Zelândia.
São Paulo é umas 6 vezes maior que Kyoto.
E também tem gente que acha que a cidade do Rio de Janeiro é maior que São Paulo.

É verdade que todo brasileiro sabe jogar futebol?
Essa pergunta em geral vem como uma afirmação, "você certamente sabe jogar futebol muito bem!".
A resposta é sempre não. Eu sou perna de pau a prova viva de que existem brasileiros que não sabem jogar futebol bem.
Porém, comparado a outros países, existem muitos brasileiros que sabem jogar bem, Em geral todo brasileiro conhece razoavelmente as regras do esporte, os objetivos, nomes de clubes, e já jogou ao menos uma vez na vida.

Quando me perguntam o porquê disso, a coisa complica. É difícil explicar de onde vem essa relação maluca do futebol e o povo brasileiro. Chamam de "febre nacional", eu chamo de "doença nacional", apesar de ser um esporte sadio (especialmente se comparado ao Rugby), que une as pessoas, e dá assunto para conversas de elevador, é também o que aliena boa parte da população brasileira, dá apoio a torcidas violentas, e tem uma participação especial na corrupção.

Ah, quando eu conto que em dia de jogo da seleção brasileira em copa do mundo é decretado feriado, metade não acredita e a outra metade vai à loucura.

Este brasileiro aqui sim sabia jogar futebol.


Por que tantos imigrantes de tantos lugares diferentes foram ao Brasil?
Pouca gente entende minimamente de história a ponto de saber que a Europa e o Japão nem sempre foram ricos como hoje são. E que houveram épocas em que, para muita gente, valia mais a pena se aventurar numa terra desconhecida do que continuar sofrendo em seu próprio país.

Qual a origem da sua família?
Quem sabe que o Brasil é um país majoritariamente formado por imigrantes, tem curiosidade em saber de que parte do mundo meus antepassados vieram.
A verdade é que eu sei de alguns, e consigo especular umas coisas pelos meus sobrenomes, mas não sei muito. A maioria dos brasileiros não sabe. E nem importa na verdade.
Para não deixar ninguém decepcionado eu digo que minha família está no Brasil há mais de 10 gerações, e que por isso não sabemos, mas provavelmente vieram de algum canto da Europa e se misturaram com as pessoas daqui.

Como se diz *palavra aleatória* em Espanhol?
Muita gente acha que a língua oficial do Brasil é Espanhol. E mesmo aqueles que sabem bem que falamos Português no Brasil, assumem que, devido à proximidade com os outros países da America do Sul, e a proximidade entre as duas línguas, a maioria dos brasileiros sabe falar Espanhol sem problema algum. Nada mais longe da verdade.

Quantos nomes você tem?
Em muitos países, incluindo o Japão, as pessoas tem apenas um sobrenome, que em geral vem da família do pai, e um nome. Em algumas culturas as pessoas têm nome do meio (middle name). Mas não são comuns os casos de gente com quatro nomes.

As pessoas ficam confusas e admiradas com o fato de eu ter dois nomes e dois sobrenomes, além claro de um "de" entre meus nomes e sobrenomes, o que ajuda muito a confundir os asiáticos.

Alguns já me perguntaram se sou descendente da nobreza européia, por causa desse "de", o que me faz ter de explicar que regras européias não se aplicam no Brasil.

A título de curiosidade, recentemente eu passei a utilizar esse "de" quando assino algo para confundir as pessoas e deixar de ter problemas com bancos e outras instituições.

Todo mundo no Brasil fala Inglês?
Bom, se fala mais Inglês que Espanhol no Brasil. Mas ainda assim quase ninguém sabe.


Qual o idioma do Brasil? / Vocês falam 'brasileiro'?

Você fala "brasileiro"? ( Do you speak brazilian? ブラジル語話せるんですか?)

Dentre as perguntas que as pessoas me fazem por aqui, essa é uma das que mais me intriga, e uma das quais eu mais demorei até ter uma boa resposta.
A maioria das pessoas vai dizer que não existe língua brasileira, que se fala português no Brasil. O que não é mentira, mas nem sempre foi verdade.

Já existiu uma "língua geral brasileira" cunhada em terras brasileiras que não tinha nada a ver com o Português. Pena que foi banida e ninguém mais fala.

Hoje em dia se fala Português brasileiro, que tem uma série de diferenças com o Português lusitano e Português de outros países( Angola, Cabo Verde, Moçambique, etc).

É legal ver a cara de espanto quando explico que breakfast é "café da manhã" no Brasil e "pequeno almoço" em Portugal. E que existem palavras que utilizamos que tem origem em línguas indígenas, como "nhenhenhém" ( ficar de nhenhenhém), igarapé (rio), xará (pessoa com o mesmo nome), e tupiniquim.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Os japoneses falam Inglês?

Quem nunca veio ao Japão me pergunta coisas do tipo - os japoneses falam Inglês? É fácil se virar falando inglês no Japão? Como você faz na faculdade?

Quem já veio, seja para morar um tempo ou a turismo, reclama que quase ninguém fala Inglês e que é muito difícil conseguir informação.
"Hoje está em construção. Obrigado pela compreensão"

Eu mesmo já vi vários turistas tendo problemas em pedir informação para os locais e, como bom morador de Kyoto, fui ajudá-los. Após indicar direções e dar dicas sobre a cidade, a conversa invariavelmente vai pro mesmo ponto - por que é tão difícil achar gente que fale Inglês aqui?
País de primeiro mundo, até algum tempo atrás segunda maior economia do mundo, nível alto de desenvolvimento humano, educação de nível altíssimo, proximidade com os EUA e com a Austrália.

Apesar de tudo isso, e de estudarem inglês no ensino fundamental e médio por 6 anos, a maioria dos japoneses não consegue manter uma conversa ou mesmo responder a perguntas simples em Inglês. 

Em geral as pessoas colocam a culpa no sistema educacional japonês, onde o Inglês é ensinado através de um método ultrapassado de tradução, ênfase em livros didáticos cheios de gramática, e nada de conversação ou qualquer tipo de contato com material real como livros, filmes e música.

Há também uma grande valorização de exames de proficiência de língua inglesa (TOEFL, CPE, TOIEC, etc). É necessário ter um desses certificados para ingressar em alguns programas de pós graduação, intercâmbio, e para se conseguir empregos e promoções dentro de uma empresa.


Outras pessoas atentam para a grande diferença que há entre o Inglês e o Japonês. O que não há como discordar. Línguas de origem distintas, com pronuncia, gramática, entonação, sistema de escrita e vocabulários completamente diferente, é natural que os japoneses tenham dificuldade em aprender Inglês, assim como Ingleses e Australianos têm dificuldade em aprender Japonês.

Eu adicionaria um terceiro ítem à lista -  a distância cultural dos japoneses à cultura ocidental.

A maioria dos japoneses não tem muito contato com nenhum material cultural como livros, filmes, séries de TV, música, etc. Quem sabe Inglês entende que esse tipo de material é essencial no aprendizado, e sendo algo tão importante, dá pra perceber o efeito negativo que isso tem.

Pois é, eles não assistem Game of Thrones, nem Simpsons, não ouvem Eminem nem Arctic Monkeys.

Depende de onde você vai

Talvez para quem vem a turismo seja um pouco difícil achar alguém aleatoriamente na rua que fale inglês suficiente para um bate papo. Também não dá pra esperar que aquele senhor de 76 anos no templo vá conseguir explicar qual ônibus pegar para chegar ao centro comercial.

Mas em muitos lugares turísticos existem profissionais que falam Inglês e estão aptos a ajudar o turista perdido, ou pelo menos placas com informações básicas.

Em muitos restaurantes é possível encontrar menu  e mais algumas informações em Inglês.

Muitos alunos das universidades falam Inglês, é perfeitamente possível se virar dentro de um grupo de pesquisa apenas com Inglês. Arrisco dizer que é bem mais fácil do que seria tentar me virar apenas com Inglês em uma universidade brasileira.

Nas prefeituras e subprefeituras existem panfletos de informação não somente em Inglês, mas também em outras línguas incluindo o Português!


E no Brasil, as pessoas falam Inglês?
Algumas pessoas desavisadas me perguntam se o Inglês é língua oficial no Brasil, ou se a maioria dos brasileiros fala inglês com fluência. A resposta, obviamente, é não.

Apesar de sermos falantes nativos de uma língua européia com certa proximidade ao Inglês, e de muita gente saber quem é o Sheldon, pouquíssimas pessoas sabem Inglês.

Talvez seja o ensino fundamental e médio que é defasado e a pouca preocupação das universidades e empresas em se internacionalizar. Mas isso já é assunto para outro post...

segunda-feira, 25 de maio de 2015

As faculdades japonesas são gratuitas?

Universidade de Tokyo

É de conhecimento comum que a educação japonesa possui níveis muito altos, que a tecnologia e pesquisa produzidas neste país são de ponta. Mas poucos tem conhecimento de que educação superior não é algo acessível a boa parte da população.

Alguns sabem que o vestibular no Japão, e na Ásia em geral, é bastante disputado. Ingressar em uma universidade de grande prestígio no Japão é uma das condições essenciais para uma boa carreira. Porém, como não há vagas para todos nessas universidades, a disputa é bastante acirrada.

Muitas pessoas que conheço ficaram pasmas quando descobriram que a educação superior no Japão, mesmo nas universidades públicas, é paga.



Vou citar aqui o exemplo das universidades de Tokyo, Osaka e Kyoto, que são as três universidades públicas mais prestigiadas do Japão.


O preço salgado já começa no vestibular, que custa ¥17.000 (R$432,83*). Caso o estudante passe pela prova, há a taxa de matrícula de ¥282.000 (R$7.179,89*), e a anuidade de ao menos ¥535.800 ( R$13.641.78 *). Em outras palavras, a "mensalidade" dessas universidades é de ¥44.650 (R$1.136,82*). Alguns cursos são mais caros, como Medicina e Direito.

Já as universidades particulares em geral custam um pouco mais que o dobro disso, como a Universidade Sophia e a Universidade de Estudos Estrangeiros de Kyoto, ou chegam a valores muito superiores como a Universidade Waseda e a Universidade Keio.

Alunos de pós-graduação, mestrado e doutorado, pagam a mesma quantia.


Universidade Waseda
Para aqueles estudantes cuja família não tem como pagar, existem bolsas de estudo, nas quais o estudante é dispensado de ter de pagar mensalidade, e a possibilidade de pedir financiamento estudantil ao governo ( student loan, mais informações aqui).

Porém, conseguir uma dessas bolsas de estudo não é fácil, em geral é pedido que o aluno possua excelente desempenho acadêmico e que sua família esteja passando por dificuldades econômicas devido a consequências de algum desastre natural ou equivalente (informações aqui).

Já no caso do financiamento estudantil, vale lembrar que o estudante precisa devolver o valor recebido uma vez formado.

Parece muito caro e difícil cursar ensino superior no Japão, mas o Japão não tem exclusividade nisso, outros países como EUA, Inglaterra e China também não possuem universidades gratuitas.

Um fato interessante é que, apesar de quase não oferecer oportunidades de bolsa de estudos ou outros incentivos para nativos e estrangeiros que vivem como nativos no Japão, existem várias bolsas de estudos, descontos e tratamento especiais para estudantes de outros países que desejam cursar alguma universidade japonesa.

Pois é, nem só de maravilhas vive o sistema educacional japonês.

* valores em 24/maio/2015

domingo, 24 de maio de 2015

Sobre a bolsa de estudos MEXT - minha experiência

Muita gente me pergunta como eu vim parar aqui. Uns acham que eu vim por intercâmbio da USP, outros que eu vim para trabalhar, outros que é alguma bolsa como ciências sem fronteiras ou CAPES.

Eu não sou mais vinculado à USP, não estou trabalhando aqui, e também não possuo nenhuma dessas bolsas. Eu vim pela bolsa MEXT do governo japonês.

Trata-se de uma bolsa de estudos oferecida anualmente a países com relações diplomáticas com o Japão, o que inclui o Brasil.

As informações básicas podem ser encontradas no site do consulado japonês de São Paulo.

Como algumas pessoas me perguntam como foi o processo, vou tentar descrever aqui  como foi minha experiência.

Cerejeiras que me recepcionaram logo que cheguei.


I - Projeto de estudos e prova

O consulado japonês de São Paulo exige um projeto de 6 páginas para a inscrição para a pós graduação. O modelo é bem semelhante a o que normalmente uma universidade no Brasil vai pedir para o ingresso na pós-graduação, ou mesmo a um projeto de iniciação científica. Nenhum segredo quanto a isso.

Eu estudei Psicologia durante minha graduação, e decidi não mudar de área, escrevi meu projeto embasado nas teorias psicológicas que tinha estudado e no estilo de escrita praticado em minha antiga universidade.

Como não queria cursar pós graduação em assuntos que estavam entre os tópicos que estudei e pesquisei durante a graduação, decidi partir para um campo novo - estudar a imigração de brasileiros ao Japão na perspectiva da Psicologia Social¹.

Fui a palestras, simpósios e outros eventos que versavam sobre este tema e que me deram mais ideias sobre o que escrever no meu projeto.

Li muitos artigos científicos, teses e alguns livros sobre o tema². Fui tomando nota de tudo que parecia interessante e pensando em possibilidades.

Consultei professores universitários e amigos sobre como escever um projeto e quais assuntos seriam interessantes abordar.

Por fim, decidi abordar algo que chamei de " A formação da identidade do adolescente imigrante brasileiro no Japão".

Escrevi o projeto, pedi para vários amigos e um professor universitário (que é acima de tudo meu amigo) lerem e comentarem. Reescrevi o projeto com base nos comentários e sugestões até chegar em uma versão aceitável.

Fiz a inscrição.

No meio tempo, ia estudando Inglês e Japonês, eu já falava, lia e escrevia Inglês com certa facilidade, mas meu japonês era básico, algo como o nível N4 do exame de proficiência.

Eu fiquei exausto depois das provas, mas senti que tinha feito algo bem, que tinha feito tudo que podia fazer ali.

Fui aprovado para a fase da entrevista.

II - Entrevista e preparação de documentos

A entrevista é carregada de formalidades( como eu descobriria depois que muitas coisas no Japão são assim), é esperado que os canditos se apresentem em vestimentas formais, ou seja, terno e gravata.
Em 15 minutos me pediram para explicar meu projeto, qual a viabilidade e importância de tal estudo, além de algumas perguntas mais específicas sobre o que estava escrito no projeto e sobre meus planos futuros.

Me lembro de ter saído da entrevista com a cabeça cheia e bastante estressado pela tensão do momento. Também me lembro de ter ido direto a um bar após a entrevista e ter pedido uma dose de cachaça e uma garrafa de cerveja logo que cheguei. Não me lembro do que mais aconteceu neste dia.

Este era o ano de 2011, ano em que o Japão sofreu muito com o chamado "grande terremoto do leste do Japão", algo que afetou o Japão em muitos aspectos, o que inclui a concessão de bolsas para pesquisadores estrangeiros.

Por causa disso, o consulado japonês de São Paulo deixou algumas pessoas "suspensas" do processo de bolsas de estudo MEXT após a fase da entrevista, ou seja, ainda não haviam decidido se algumas pessoas seriam aprovadas definitivamente para ir ao Japão ou não. Eu era uma dessas pessoas.

Depois de várias semanas de espera e incerteza, o consulado finalmente me informou que eu não fora aprovado.

Fiquei bastante desapontado e não sabia o que fazer da vida, se tentaria novamente ou se seguiria minha vida de outra forma.

III - Repensando o processo e prestando novamente

Depois de começar a trabalhar normalmente em uma empresa, ganhar meu próprio dinheiro, ter uma vida estável, e ouvir um monte de gente me falando que eu estava me dando muito bem no meio organizacional e que não havia necessidade de um intercâmbio eu decidi que iria tentar a bolsa de estudos novamente.

Por causa do emprego eu tive menos tempo para me preparar, mas como já tinha chegado tão perto talvez não precisasse de tanto tempo me preparando.

Segui a mesma fórmula para escrever o novo projeto -  li livros, artígos e teses,  assisti palestras e participei de mais simpósios, me consultei com amigos e pessoas ligadas ao meio acadêmico. Em suma, me aprofundei mais no assunto e resolvi escrever sobre o que chamei de " adaptação dos imigrantes brasileiros no Japão".

Meu Japonês já tinha melhorado consideravelmente( nível próximo ao N3 do exame de proficiência), e resolvi estudar a gramática do inglês com mais profundidade, para não ter problemas com nenhuma questão.

Eu passei na prova sem grandes problemas. A entrevista foi um pouco menos pesada, mas eu fui pro mesmo bar depois.

Desta vez eu fui aprovado!

Apenas a título de celebração



IV - Documentação e procura por universidade

Uma vez aprovado pelo consulado, é necessário que todos os documentos usados para a inscrição, além de um punhado de outros documentos, sejam traduzidos para o Inglês ou Japonês para que sejam enviados ao Japão. Dá um trabalhinho, mas compensa 100%.

Uma vez que todos os documentos estejam traduzidos, é necessário que se entre em contato com Universidades e laboratórios no Japão para que se peça uma carta de aceitação, ou seja, era preciso que algum laboratório de alguma universidade japonesa me aceitasse como aluno pesquisador e talvez futuro mestrando.

O consulado pede até três cartas de aceite. Eu contactei seis universidades japonesas, mas só fui aceito em duas delas. Uma dessas foi exatamente a universidade em que gostaria de estudar.

A maioria das universidades me rejeitou por causa do meu projeto, a metodologia e o tema não eram assuntos normalmente abordados nos laboratórios de Psicologia do Japão.

Depois de um tempo aqui que eu fui perceber que a Psicologia no Brasil e no Japão funcionam de maneiras bastante diferentes ( algo que eu quero explorar num post futuro).

O laboratório que me aceitou, o fez com a condição de que eu modificasse meu projeto para se enquadrar nos tipos de pesquisa que são realizadas nele.

V - Preparativos finais e partida

Após o envio de todos os documentos para a universidade no Japão e para o Ministério da Educação  japonês não restava muito a fazer que não esperar.

Tivemos uma reunião no consulado japonês para orientação para o embarque, integração dos bolsistas e algumas dicas sobre o Japão.

Arrumei minhas coisas, me despedi da minha família e dos meus amigos, e vim.

Vista da janela do avião a caminho do Japão.


Para saber mais sobre as bolsas MEXT

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Consulados Japoneses no Brasil

Site oficial do MEXT


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¹ Quando escrevi o projeto, achva que Psicologia Social era algo que falava por si, mas na verdade existe uma gama enorme de "Psicologias Sociais" que podem ser semelhantes ou bastante diferentes.

² Para quem se interessa no assunto, recomendo três livros:
Psicologia, E/Imigração e Cultura - Sylvia Dantas
A identidade cultural na pós modernidade - Stuart Hall
A negociação da identidade nacional - Jeffrey Lesser